Arquitetura Árabe

Por: Renata Mello

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Grande Mesquita Sheikh Zayed – Fonte: Pixabay
A Casa Portoro foi o palco da ‘I Conferência de Arquitetura Árabe Contemporânea’ nesta última quarta-feira (14). Nesta ocasião, o arquiteto sírio Hasan Alharek abordou sobre três temas distintos da arquitetura árabe. 
O primeiro enfoque da discussão foi sobre as antigas casas típicas da capital Síria, Damasco. Segundo Hasan, as construções são muito próximas umas das outras, por isso, as residências não são voltadas para o exterior, mas para um pátio central interno, onde fica localizado um fontanário. A função principal desse átrio central é de facilitar a circulação de ar fresco e de permitir a entrada de luz natural, assegurando a salubridade das casas e o conforto térmico das mesmas. Já o interior destas moradias é rico em ornamentos geométricos remetendo a plantas e animais. Esses elementos são utilizados na concepção de qualquer ambiente, aplicados tanto nos pisos quanto nas paredes.
Após esse panorama geral sobre as moradias, o palestrante expôs a respeito das mesquitas islâmicas. Cabe mencionar, que os países árabes possuem três religiões predominantes: o cristianismo, o judaísmo e o islamismo. No entanto, para ilustrar a arquitetura árabe, Hasan escolheu se aprofundar nas tipologias das mesquitas. Para tanto, apresentou o seguinte vídeo:
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=4ykDTwjY7fs – Acesso em 19.03.2018
Os pontos principais expostos:
  1. Arquitetura islâmica possui ornamentos geométricos e caligrafia árabe nas paredes;
  2. Cúpula como elemento de aproximação com o céu e que permite ampliar verticalmente as construções;
  3. As mesquitas possuem um elemento chamado de Malgaf que serve para conduzir o ar para os ambientes internos e uma torre de vento conhecida como Badgir para direcioná-lo. Desta forma, busca-se uma ventilação natural eficiente nestes edifícios;
  4. Estas construções sagradas também possuem painéis decorativos nas aberturas (Mashrabiya), que filtram a luz e mantêm a privacidade do local;
  5. Outra particularidade das mesquitas é que sempre indicam a direção de Meca, cidade considerada a mais sagrada no mundo para os muçulmanos.
    Por fim, o foco da apresentação se voltou para a arquitetura contemporânea árabe com destaque para algumas construções de Dubai. As formas geométricas permanecem nos interiores, mas de forma mais sutil, como por exemplo, aplicadas em apenas alguns elementos da construção. O uso da tecnologia nos edifícios também é outro denominador comum. 
    Sem dúvida, uma arquitetura rica em história, significado e religiosidade!
Para conhecer mais, vejam os livros:
  • Arquitectura Islámica en Andalucía da editora Taschen – autores: Marianne Barrucand e Achim Bednorz
  • Caligrafia Árabe da Bibliaspa – autor: Moafak Dib Helaihel

Alta performance para Arquitetos

Por: Renata Mello

Alta performance profissional foi o tema que permeou as apresentações* da 15ª edição do evento Viva Decora Pro, que ocorreu na Cinesala da Fradique Coutinho nesta última terça (6). 

A pergunta chave das narrativas foi:

Como se destacar no mercado de arquitetura e se consolidar profissionalmente?

Esta indagação ecoou na mente dos participantes, que estavam atrás de respostas para melhorar suas práticas profissionais e consequentemente garantir acréscimo nas suas receitas.

Como conclusão dos debates é possível dizer antes do sucesso profissional é preciso almejar a alta performance pessoal. Responder sinceramente as desafiadoras perguntas: “Quem sou eu?”, “O que me move?”, “O que me motiva?” é a base do processo. Ter um propósito bem claro, para fazer os olhos brilharem faz parte deste desafio, pois as pessoas irão te contratar pelo que você acredita.

O segundo passo é a Gratidão! Agradecer por todos os desafios e conquistas, pois são as lições enfrentadas da vida que lapidam o ser e o prepara para novos estágios. Com o ato de agradecer, cria-se uma atmosfera muito positiva, propícia para o crescimento perene e verdadeiro.

O momento seguinte desta transformação pessoal é descobrir o que você faz com facilidade, quais são seus hobbies e a partir disso detectar qual necessidade do mundo você irá resolver. 

Com esta base estabelecida, fica mais claro expor suas idéias ao mundo, pois transmitirá fortemente a sua verdade e essa energia será intensa e autêntica, possibilitando criar alicerces profundos para o seu empoderamento no mundo.

O sucesso virá como consequência, através de consistência e persistência. Suas ações estarão alinhadas as suas verdades e o trabalho será sempre uma nova oportunidade para servir aos outros verdadeiramente, gerando com isso uma satisfação interior. 

A etapa seguinte após essa longa jornada interior e pessoal é o aperfeiçoamento profissional que pode passar por cursos de especialização ou mesmo um reflexão profunda sobre quais problemas o seu potencial cliente possui e como você almeja resolvê-lo.

O Viva Decora possui um manual chamado de “Ciclo de Encantamento” onde apresenta dicas importantes para além de solucionar problemas, criar um canal de comunicação ativo através das mídias sociais. Quem tiver curiosidade de ler: acesse o link.

Aos interessados em assistir os conteúdos expostos na 15ª edição do Viva Decora Pro, vejam os vídeos que se encontram abaixo.

Bons estudos!

Tudo o que você precisa saber sobre Proposta de Valor – Viva Decora PRO – 15ª edição

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=L2U99QnU8rM. Acesso em 09/03/2018

Painel “Um novo olhar sobre a decoração” – Viva Decora PRO – 15ª edição

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=5Ss5r3rhmv0. Acesso em 09/03/2018

Alta Performance pessoal – Viva Decora PRO – 15ª edição

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=-4vzStnvAxg. Acesso em 09/03/2018

 

* Apresentações:
Palestra 1: “Tudo o que você precisa saber sobre Proposta de Valor” por: Diego Simon
Palestra 2:  “Um novo olhar sobre a decoração” por: Nathália Candelária, Lufe Gomes
Palestra 3: “Alta Performance pessoal” por: Fernanda Chaud

Casa Portoro

Por: Renata Mello

A Casa Portoro é um novo ponto de encontro de arquitetos, designers e artistas. O local possui 14 ambientes decorados, com propostas que buscam atender aos mais variados gostos e preferências. É possível encontrar soluções dentro do estilo urbano, do contemporâneo até ligadas a Pop Art.

Os espaços foram elaborados por profissionais do segmento de interiores visando expor revestimentos atuais, peças de arte e produtos voltados a decoração, facilitando desta forma, a escolha destes itens por parte dos clientes e arquitetos. Vale a pena conferir!

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Fotos: Renata Mello, 2018

Fundação Maria Luisa e Oscar Americano

Por: Renata Mello

A Fundação Maria Luisa e Oscar Americano localizada no Morumbi é um oásis em meio a cidade de São Paulo. O local abriga uma reserva vegetal de aproximadamente 25.000 árvores de espécies nativas brasileiras, que criam uma barreira natural que impedem a chegada de ruídos externos à propriedade, proporcionando aos visitantes um agradável passeio. 

Esse refúgio é ponto obrigatório aos amantes das artes e da arquitetura, pois encontra-se a antiga residência da família Americano, projetada pelo renomado arquiteto modernista Oswaldo Arthur Bratke. A construção datada de 1953 é um exemplo singular da arquitetura brasileira.

Hoje transformada em museu, aloja obras de arte de Cândido Portinari, Di Cavalcanti, peças sacras e principalmente objetos e quadros do período Imperial Brasileiro. 

Além disso, ao percorrer os caminhos naturais que circundam o edifício é possível encontrar belas esculturas posicionadas estrategicamente que embelezam ainda mais a visitação.

Sem dúvida, a Fundação agrega de forma harmoniosa a natureza, as diversas artes e a arquitetura. A boa música também não poderia faltar. Ao longo do ano importantes musicistas realizam concertos que chegam para somar neste ambiente que transpira requinte, bom gosto e sensibilidade artística.

Confira algumas fotos do local.

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Fotos: Renata Mello

Desenho de Cidades Seguras e Acessíveis

Por: Renata Mello

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Foto: Renata Mello

“Desenho de Cidades Seguras e Acessíveis” foi o tema da palestra proferida por Hannah Machado, coordenadora de Desenho Urbano e Mobilidade da empresa Bloomberg Philanthropies, durante o 1º Seminário de Acessibilidade e Desenho Universal no Contexto Urbano organizado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, nesta última terça 19. 

Hannah destaca que a organização onde trabalha promove ações para ampliar a segurança global no trânsito, a fim de reduzir a taxa de 1,25 milhões de mortes registradas anualmente no mundo em decorrência de acidentes nas vias de tráfego de veículos. 

Menciona que a redução de velocidade para 50 km/h imposta aos condutores de veículos automotores já reduziu os índices de acidentes, mas tal ação isolada ainda não resolve significativamente o problema. Um ponto importante de mudança seria o de planejar as cidades com foco nos transeuntes ao invés dos automóveis. Essa premissa coloca o pedestre como prioridade, depois os transportes coletivos, os de carga e por último os carros individuais, conforme ilustração abaixo.

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Fonte: Hannah Machado –  imagem extraída da apresentação

Desta forma, para melhorar a segurança das pessoas, seria preciso adotar algumas estratégias de Desenho Urbano, ampliando as calçadas, áreas de espera e encurtando os pontos de travessias. Hanna enumera 12 possibilidades, que seguem:

  1. Travessia de pedestres;
  2. Ilha de refúgio;
  3. Travessia elevada;
  4. Cruzamento elevado;
  5. Extensão do meio fio;
  6. Estreitamento dos raios de conversão;
  7. Lombada;
  8. Almofadas Atenuadoras;
  9. Chicana;
  10. Estreitamento da via;
  11. Reconfiguração de cruzamentos;
  12. Mini rotatória.

Para conhecer com mais profundidade estas opções, baixe os livros: “O Desenho de cidades seguras” ou o “Global street design guide” disponíveis gratuitamente na internet.

Outra boa notícia é que iniciativas de projetos urbanos pensados a partir da priorização dos pedestres, já estão em andamento na capital paulista. O bairro de São Miguel Paulista, por exemplo, está sendo estudado e redesenhado em pontos estratégicos. Serão 18 pontos de intervenção com o intuito de criar uma centralidade mais segura e caminhável. Quiçá seja replicado para outras localidades da cidade. Os cidadãos agradecem!

Cohousing: Uma alternativa promissora

Por: Renata Mello

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Fonte: Pixabay

Já parou para imaginar como serão os próximos anos de sua vida? Quais pessoas irão morar com você? Que local viverá? Que atividades pessoais e profissionais estará desempenhando? Estas foram algumas perguntas que docentes da UNICAMP se fizeram.

A partir destas inquietudes decidiram pesquisar modelos de habitações que poderiam proporcionar maior qualidade de vida, sem onerar muito nos custos e que ao mesmo tempo ampliasse as relações sociais. Como resultado deste processo descobriram que a modalidade de Cohousing, originária da Dinamarca, é um modelo viável também em terras brasileiras.

As estruturas de Cohousing possuem sempre casas privativas para todos os moradores e uma espécie de clube interno, local onde converge as atividades coletivas, como reuniões, festas e almoços de confraternização, o que estimula a convivência entre as pessoas que ali residem, reforçando muito os laços sociais.

A constituição desta modalidade de moradia, consiste em um primeiro momento, agrupar pessoas com interesses afins e que estão dispostas em residir em “condomínios intencionais”.

Identificado os possíveis moradores, formaliza-se uma associação em que são definidos em grupo, as regras que estarão vigentes no residencial. No caso brasileiro, a primeira Cohousing ainda está nesta fase de formalização, mas já foi batizada de Vila ConViver.

Num segundo estágio adquiri-se um terreno que atenda a demanda desta comunidade. Após definido o local, todos os envolvidos corroboram no desenvolvimento do projeto arquitetônico junto de profissionais da construção.

Além do projeto arquitetônico possuir uma co-participação de todos os envolvidos, as demais definições operacionais e de manutenção seguem a mesma prática democrática.  Todos os residentes possuem o mesmo poder de decisão, não havendo hierarquia dentro desta estrutura. Outra característica comum deste modelo é que os integrantes pagam uma taxa mensal, destinada a manutenção das áreas verdes e edificações comuns.

E quais são as vantagens de viver em uma Cohousing?

As vantagens de optar em viver em uma Cohousing é a construção de uma rede de parceiros e amigos que compartilham as alegrias e as tristezas naturais da vida, o que enriquece a experiência humana. Os integrantes costumam ter diversas idades, permitindo a troca intergeracional. No caso brasileiro, o primeiro conjunto será destinado a idosos, mas esse modelo, não é necessariamente o padrão. O fator econômico também se destaca como uma vantagem, pois os gastos coletivos são distribuídos igualmente entre todos, suavizando as despesas no final do mês.

Sem dúvida, um modelo muito convidativo de morar!

Nota: As informações desta matéria foram baseadas nas palestras de Laura Fitch e de Sérgio Mühlen (Vila ConViver) apresentadas durante o “1°Fórum de Moradia para a Longevidade” promovido pelo Secovi, Estadão e Imaginare no dia 9 de Novembro em São Paulo.

Aconselhamento Profissional

Por: Renata Mello

O mercado profissional tem mudado para todas as áreas, se tornando essencial investir no autoconhecimento. Ter um diploma universitário não é suficiente para assegurar um trabalho, é necessário ir além. As empresas não estão em busca apenas de um bom técnico ou especialista, mas de uma pessoa que saiba resolver problemas de forma rápida e econômica. Buscam profissionais comunicativos que saibam interagir com grupos heterogêneos, que possuam habilidades de negociação e efetivação de importantes parcerias para a concretização de um projeto, por exemplo. 

Dentro desse mar chamado mercado é imprescindível saber seus diferenciais e colocá-los a serviço. Não importa se é em um corporação ou dentro de uma jornada como autônomo. Por isso invista em descobrir suas potencialidades.

Esse processo de auto-descobertas não é fácil, exige determinação e coragem. É um exercício que vale fazer ao longo de toda a existência, refletindo diretamente no âmbito profissional, mas também nas demais áreas da vida.

Se precisar de um apoio inicial, procure por um aconselhamento profissional!

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Foto: Renata Mello

[Detalhes] Artefacto D&D 2017

Por: Renata Mello

Nesta última quarta-feira (3), a Artefacto do Shopping D&D inaugurou mais uma Mostra de Decoração atraindo arquitetos e personalidades, que vieram conferir as novidades. As palavras que resumem os espaços são: sofisticação, sutileza, poética, equilíbrio e harmonia compositiva. Os resultados podem ser conferidos a seguir:

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Tendências de Milão 2017

Por: Renata Mello

Milão é uma importante metrópole italiana que atrai visitantes do mundo inteiro, em especial durante a destacada semana de Design, quando criadores de produtos, arquitetos, jornalistas, lojistas e amantes de tendências, podem circular entre as mais renomadas marcas do setor moveleiro dentro do “Salone del Mobile Milano”. Em paralelo outros pontos da cidade apresentam instalações temporárias com propostas ligadas as artes, ao design autoral ou correlatas ao espírito do período.

Diante da relevância deste acontecimento anual, o Shopping D & D  promoveu nesta quarta-feira (3) um evento em que se destacou a apresentação da diretora de redação da Casa Vogue, Taissa Buescu. O foco foi apresentar 6 tendências para o ano de 2017 identificadas durante a semana de Design em Milão, a partir de peças selecionadas por ela e sua equipe. Confira os destaques apontados:

1- Tons da Natureza

Em 2017, os diversos nuances de verde e de laranja estarão em alta, com destaque para o caramelo, o ferrugem e o verde musgo. Os vinhos, os rosês e alguns tons de azul também marcarão presença.

Fotos de Renata Mello feitas durante a apresentação de Taissa Buesco

2- Geometria Angular

As formas geométricas oriundas de formações não ortogonais também comporão os móveis neste ano, como mostram os exemplos a seguir. 

Fotos de Renata Mello feitas durante a apresentação de Taissa Buesco

3 – Circulares

Outro destaque foi a aplicação de alta tecnologia e novos materiais em luminárias, sofás, cadeiras, mesas e banquetas, com recorrência nos formatos circulares. A mesa Talisman, por exemplo, exposta pela Luis Vuitton é composta por elementos geométricos em couro que resulta em um efeito plástico único e marcante.

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Fotos de Renata Mello feitas durante a apresentação de Taissa Buesco

4 – Poéticos

Além da inspiração cromática, a natureza também serviu como ponto de partida para a criação de peças com apelo poético. A lua, o satélite natural da terra, inspirou muitos designers, mas o destaque foi para a peça Liquefy que conseguiu reproduzir no vidro a movimentação das águas. 

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Fotos de Renata Mello feitas durante a apresentação de Taissa Buesco

5- Componíveis

Móveis e objetos concebidos para atender as variadas demandas e/ou preferências. Os sofás modulares estarão muito presentes, além de peças customizáveis, como propõe a obra Gaku, em que os elementos de dentro do cubo podem ser trocados facilmente.

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Fotos de Renata Mello feitas durante a apresentação de Taissa Buesco

6- Vibe Millennial

Essa tendência está alinhada ao perfil da geração Millennial. Segundo publicação da Deloitte, corresponde as pessoas nascidas após 1982 já imersas as facilidades tecnológicas e que valorizam mais o propósito do negócio do que o lucro. Dessa forma, como seria a linguagem das peças para essa geração? A obra Alphabet of light exposta em Milão traz a inovação alinhada a esse grupo geracional, através da iluminação no formato da tipografia própria dos computadores.

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Fotos de Renata Mello feitas durante a apresentação de Taissa Buesco

Essas foram as principais tendências e imagens captadas por Renata Mello durante o evento nesta última quarta-feira. Maiores detalhes sobre a feira de Milão estão disponíveis na edição da Casa Vogue deste mês.

A: Contratação de serviços de arquitetura

Por: Renata Mello

É muito recorrente algumas dúvidas que envolvem o universo de contratação de serviços de arquitetura. Diante da importância desse tema será discutido num formato de entrevista, a partir das perguntas mais corriqueiras.

Pergunta 1: “Qual o momento ideal para se procurar um expert desta área?”

Renata: Antes de comprar um terreno ou imóvel, procure um arquiteto de sua confiança para auxiliá-lo nessa escolha. Explicite todos os sonhos e necessidades para que essa aquisição seja correta e possa de fato atender as suas demandas.

Lembro que uma vez recebi a ligação de um possível cliente querendo transformar uma residência recém-adquirida em Pet Shop, porém ao levantar o zoneamento do imóvel, descobri que esse uso era incompatível com a região, inviabilizando o negócio pretendido. Se tivesse contratado uma consultoria prévia de um profissional habilitado, esse problema teria sido evitado.

Pergunta 2: “Qual a importância do projeto de arquitetura?”

Renata: Responderei essa questão fazendo uma analogia. Pense que o seu sonho é realizar uma viagem para a Tailândia, um lugar exótico, distante, exuberante, mas dispendioso, que exigirá planejamento. Ao embarcar nessa aventura, precisará pesquisar mais a respeito da cultura local, do clima, dos locais turísticos mais relevantes, nos pontos de hospedagem e nos meios de transporte. Você poderá planejar sozinho, mas também possuirá a opção de escolher um agente de viagens mais experiente, para lhe auxiliar com mais precisão nessa empreitada, minimizando ao máximo desagradáveis surpresas que possam ocorrer ao longo do percurso, a fim de que sua experiência seja de fato boa e inesquecível. As chances de sucesso com apoio de um bom especialista tendem a ser maiores, do que empreender nessa jornada sozinho.

O mesmo ocorre ao contratar um arquiteto para elaborar o planejamento e o projeto de construção ou reforma de um imóvel. Você está disposto a fazer uma obra, que demandará pesquisas e preparação para que seus objetivos sejam alcançados com êxito. 

Existem muitos aspectos técnicos importantes a serem contemplados, para que essa “viagem” não seja problemática. No caso de uma construção nova, por exemplo, será preciso descobrir o tipo de solo, através de sondagem, para definir a fundação adequada para que a casa ou edifício sejam apoiados em estrutura firme. A avaliação precisa da situação, não pode ficar na mão de uma pessoa leiga, pois poderia comprometer a segurança do imóvel.

Os arquitetos e os engenheiros em parceira podem ajudar nestas e outras definições importantes que envolvem o universo complexo de uma obra arquitetônica. 

Uma construção bem planejada, pode oferecer soluções mais alinhadas as suas necessidades, redução de desperdícios com materiais e gastos excessivos com mão de obra, otimizando tempo e recursos. Vale o investimento!

Pergunta 3: “Quais são as etapas antes do inicio de uma obra?”

Renata: Existem algumas etapas a serem percorridas para que de fato a construção ou reforma seja executada. A seguir, listo os passos mais recorrentes, após a assinatura de um contrato de prestação de serviço em arquitetura:

Etapa 1 – Levantamento e programa de necessidades
Esse é o momento que o arquiteto obtém o maior número de informações sobre o cliente e o local de intervenção. No caso de um projeto residencial, busca-se entender os hábitos familiares e as diversas demandas espaciais para cada espaço através de conversas ou preenchimento de questionários. Costuma-se também entender os desejos do cliente a partir de projetos de referência, que sinalizem linguagens, materiais, cores e texturas almejadas.
Depois deste diagnóstico pode ser feito registros fotográficos documentando as condições do local e certamente se realiza um levantamento das dimensões espaciais que servem de base para o desenho do terreno ou edificação.

Etapa 2 – Levantamento das legislações e normas
Além dos dados obtidos na fase anterior, o profissional busca compreender as possíveis restrições legais para que o projeto seja concebido dentro das exigências de recuo, ventilação, insolação e outros aspectos técnicos pertinentes.

Etapa 3 – Estudo preliminar
Nessa fase, as ideias iniciais são esboçadas, resultando em croquis esquemáticos ou até em perspectivas ilustrativas, que permitem o primeiro dialogo direcionado em cima da proposta de projeto entre arquiteto e cliente. Essa é uma fase muito importante, pois as solicitações verbais passam a ter uma forma e que será amplamente lapidada até culminar no projeto executivo final.

Etapa 4 – Ante-projeto
A partir desse momento, as primeiras intenções projetuais passam a ter medidas e o profissional detectará em linhas ainda gerais os entraves e as soluções para viabilizar as proposições pretendidas.

Etapa 5 – Projeto Pré- Executivo
Nesse patamar, o projeto está mais detalhado, com definição da estrutura, dos materiais, das soluções de iluminação, elétrica e hidráulica. Nessa fase, visa-se ainda identificar possíveis interferências entre os diversos sistemas da construção, isto é, se o tubo de hidráulica, por exemplo, não passará na área prevista de uma estrutura como pilar ou viga. Identificado alguma incompatibilidade é realizado os ajustes necessários.

Além disso, pela quantidade de informações já definidas é possível realizar orçamentos preliminares da obra, permitindo avaliar sua viabilidade financeira de forma mais precisa e identificar possíveis prestadores de serviço e fornecedores de materiais.

Etapa 6 – Projeto de prefeitura/Aprovação
O projeto arquitetônico é submetido a aprovação na prefeitura, onde os técnicos da municipalidade avaliam se todos os aspectos legais foram atendidos. Caso haja algum item em desacordo, emite-se um “Comunique-se”, informando os pontos a serem ajustados e o processo passa novamente para reavaliação até entrar dentro dos parâmetros corretos.

Etapa 7 – Projeto Executivo
Neste ponto, o projeto é amplamente aperfeiçoado e contém informações precisas para serem implantadas na obra. Os desenhos técnicos estão completos e servem de base para a construção do edifício ou reforma do mesmo. Além disso, os fornecedores finais também já se encontram definidos.

Etapa 8 – Orçamento final/ Cronograma de obra/ Memorial descritivo
Com o projeto executivo completo, os orçamentos devem ser revisados junto dos fornecedores selecionados previamente, para que não haja surpresas posteriores com gastos na obra.

Realiza-se também um cronograma ordenando as atividades a serem feitas para que a implantação do projeto avance de forma organizada e mais funcional, respeitando uma sequência construtiva. Por último, desenvolve-se o memorial descritivo, documentando todos os acabamentos empregados, apoiando na execução do projeto e também em futuras manutenções.

Em linhas gerais, essas são as etapas recorrentes de planejamento de um projeto antes de sua construção, mas podem variar um pouco, de um profissional para outro ou dependendo do escopo.

De qualquer maneira, esse período de maturação das primeiras ideias até a consolidação de um projeto arquitetônico efetivo é essencial tanto para o cliente quanto para o arquiteto, pois são nessas fases que os sonhos são trabalhados e transformados em um plano factível que poderão resultar em obras mais funcionais, eficientes e com harmonia estética.