Gestão Urbana e Sustentabilidade

Por: Renata Mello

“Gestão Urbana e Sustentabilidade” é a temática do livro organizado por Gilda Collet Bruna e Arlindo Phillip Jr. que será lançado pela editora Manole no próximo dia 13 de Setembro na Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo.

Esta publicação contou com a participação de 74 autores, entre eles a arquiteta Renata Lima de Mello que foi responsável pelo capítulo “Cidade para as pessoas: da acessibilidade, do desenho urbano e universal”. Neste trabalho a profissional compilou seus conhecimentos adquiridos ao longo de 18 anos na área da acessibilidade abordando aspectos relevantes para o planejamento urbano.

O lançamento dessa obra acadêmica é aberto a todos os interessados e contará com uma mesa redonda onde os autores apresentarão pontos relevantes do universo da sustentabilidade e gerenciamento das cidades. Vale a pena conferir!

Convite GU&S_2018

Fonte: Editora Manole
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Desenho de Cidades Seguras e Acessíveis

Por: Renata Mello

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Foto: Renata Mello

“Desenho de Cidades Seguras e Acessíveis” foi o tema da palestra proferida por Hannah Machado, coordenadora de Desenho Urbano e Mobilidade da empresa Bloomberg Philanthropies, durante o 1º Seminário de Acessibilidade e Desenho Universal no Contexto Urbano organizado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, nesta última terça 19. 

Hannah destaca que a organização onde trabalha promove ações para ampliar a segurança global no trânsito, a fim de reduzir a taxa de 1,25 milhões de mortes registradas anualmente no mundo em decorrência de acidentes nas vias de tráfego de veículos. 

Menciona que a redução de velocidade para 50 km/h imposta aos condutores de veículos automotores já reduziu os índices de acidentes, mas tal ação isolada ainda não resolve significativamente o problema. Um ponto importante de mudança seria o de planejar as cidades com foco nos transeuntes ao invés dos automóveis. Essa premissa coloca o pedestre como prioridade, depois os transportes coletivos, os de carga e por último os carros individuais, conforme ilustração abaixo.

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Fonte: Hannah Machado –  imagem extraída da apresentação

Desta forma, para melhorar a segurança das pessoas, seria preciso adotar algumas estratégias de Desenho Urbano, ampliando as calçadas, áreas de espera e encurtando os pontos de travessias. Hanna enumera 12 possibilidades, que seguem:

  1. Travessia de pedestres;
  2. Ilha de refúgio;
  3. Travessia elevada;
  4. Cruzamento elevado;
  5. Extensão do meio fio;
  6. Estreitamento dos raios de conversão;
  7. Lombada;
  8. Almofadas Atenuadoras;
  9. Chicana;
  10. Estreitamento da via;
  11. Reconfiguração de cruzamentos;
  12. Mini rotatória.

Para conhecer com mais profundidade estas opções, baixe os livros: “O Desenho de cidades seguras” ou o “Global street design guide” disponíveis gratuitamente na internet.

Outra boa notícia é que iniciativas de projetos urbanos pensados a partir da priorização dos pedestres, já estão em andamento na capital paulista. O bairro de São Miguel Paulista, por exemplo, está sendo estudado e redesenhado em pontos estratégicos. Serão 18 pontos de intervenção com o intuito de criar uma centralidade mais segura e caminhável. Quiçá seja replicado para outras localidades da cidade. Os cidadãos agradecem!

O que é o Universal Design?

Por: Renata Mello

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Foto: Renata Mello – 1ª Mostra Casa e Corporativo Acessíveis – 2010

O Universal Design é um conceito que surgiu nos Estados Unidos e se popularizou no Brasil como Desenho Universal. Trata-se de uma forma de conceber os projetos, produtos ou serviços para a maior extensão possível das pessoas, incluindo as variações antropométricas, sensoriais e de compreensão.

Para tanto, os profissionais devem observar sete princípios que servem como norteadores, no desenvolvimento dos seus projetos. Aspectos como: proporcionar igualdade de uso dos espaços e produtos; o de criar opções de acesso ou manuseio respeitando as preferencias e habilidades individuais; o de minimizar o risco de acidentes; o de oferecer mais de uma forma de alerta em áreas que demandam mais atenção; o de ser simples e intuitivo facilitando na utilização de um equipamento ou ambiente; o de proporcionar áreas de aproximação e condições para desempenhar as atividades propostas; e o de assegurar baixo esforço físico.

Na prática, significa por exemplo, criar ambientes inclusivos que atendam a diversidade humana, como é o caso do “atelier do estilista de moda jovem” elaborado pela arquiteta Maria Fernanda Rodrigues para a 1ª Mostra Casa e Corporativo – 2010. O projeto propôs bancada de trabalho ergonômica e mobiliários de apoio que permitiam que uma pessoa sentada em cadeira de rodas ou de escritório, acessasse todas as áreas disponíveis.

Com essa mudança de paradigma, as soluções arquitetônicas, tecnológicas e de design podem proporcionar melhores condições de uso e percepção para uma maior extensão possível de pessoas, beneficiando diretamente aos idosos, crianças, obesos, gestantes e pessoas com deficiência que encontram mais barreiras físicas, porque suas necessidades nem sempre são contempladas.

Destaques da Reatech 2017

Por: Renata Mello

A Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, a REATECH, ocorreu nos dias 1 a 4 de Junho no São Paulo Expo, atraindo um público bem diversificado, interessado em conhecer produtos inovadores, que ajudam a vida de pessoas com e sem deficiência.

Quem percorreu o evento, encontrou inúmeras propostas de carros adaptados, opções de barras de apoio, sinalização visual e tátil, impressoras em Braille, teclados e mouses com recursos que facilitam o uso por pessoas com restrição de mobilidade, cadeiras de banho com ajuste de altura e muito mais.

Dentre todos os lançamentos, três foram selecionados pelo quesito de maior inovação. São eles:

1. Lysa: Cão-guia robô

Essa inovação permite que pessoas com deficiência visual possam ser alertadas de obstáculos suspensos que nem sempre são detectados pelo uso da bengala, evitando acidentes. 

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Foto 1: Lysa Robô-Guia – Renata Mello

2. Fly Children

A cadeira Fly Children foi desenvolvida para crianças entre 1 a 4 anos, que apresentam restrições de mobilidade nos membros inferiores, mas tenham possibilidade de movimentar as rodas laterais com a força dos braços. O objetivo é apoiar o desenvolvimento da criança, através da exploração espacial e interação mais livre nas brincadeiras.

Foto 2 e 3: Fly Children – Renata Mello

3. Projeto de móveis – Design4inclusion

Dentro de um projeto residencial acessível, o armário suspenso convencional pode ser um entrave para o armazenamento de utensílios e produtos, devido a dificuldade de alcance dos itens localizados nas prateleiras mais elevadas.

Para sanar esse problema, a empresa Design 4 inclusion criou um sistema motorizado para que o morador possa abaixar parte do armário e ter acesso com mais segurança e autonomia aos objetos e mantimentos ali armazenados.

Foto 4, 5 e 6:  Móvel planejado pela Design4inclusion- Renata Mello

Agora é aguardar pela próxima edição da feira em 2019. O que será que vem por ai?

NBR 9050: Acessibilidade no caminho da inclusão

A nova edição da norma de acessibilidade arquitetônica e urbanística contempla os princípios do desenho universal e aponta para a inclusão das pessoas, independente das condições sensoriais, físicas e intelectuais, no uso dos espaços.

Por: Renata Mello

Acessibilidade para todos.
Fonte: Renata Mello, 2010

 O desafio de criar ambientes cada vez mais inclusivos a um maior número de pessoas, respeitando as características físicas, sensoriais e intelectuais tem sido recorrente aos profissionais da arquitetura, engenharia, design de interiores e áreas correlatas.

Em grande parte, o Decreto Federal 5.296/2004, que regulamenta as leis, 10.048/2000 voltada a priorização no atendimento às pessoas que especifica e a 10.098/2000 que estabelece critérios e normas gerais para a implantação da acessibilidade como fator essencial a inclusão das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, teve grande responsabilidade no processo de adoção dos referenciais técnicos que criam condições de uso dos espaços, das edificações, mobiliários e das cidades por pessoas com deficiência visual, auditiva, física ou com dificuldades de locomoção.

A partir do decreto, a NBR 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), passou a vigorar com importância de lei, ditando, portanto, os parâmetros dimensionais para a elaboração de projetos e construções públicas e coletivas acessíveis. Devido a tamanha relevância, os conselhos de arquitetura e engenharia inseriram uma nota no termo de responsabilidade técnica, referente a adoção da acessibilidade, destacando a obrigatoriedade do seu atendimento nos projetos e obras.

Em 2004 e nos anos que seguiram foram intensificados os trabalhos de conscientização sobre essa temática ao corpo técnico da construção, contemplando os profissionais autônomos, os funcionários de empresas privadas, públicas e os docentes de instituições de ensino, participando nesse processo os órgãos públicos, os conselhos profissionais e demais instituições interessadas que produziram cursos e cartilhas informativas.

No princípio da obrigatoriedade da acessibilidade, ocorreram muitas dúvidas e equívocos na interpretação da NBR 9050:2004, principalmente nos capítulos de sanitários e da sinalização. Sobre esse último, destaca-se os pisos táteis que foram implantados em exagero, dificultando a locomoção das pessoas com deficiência visual.

Os desafios continuam, pois, a cada novo projeto são demandas novas soluções que devem transpor da teoria à prática, para a viabilização do espaço construído inclusivo. Nesse processo, surgem proposições positivas que podem auxiliar no próprio aperfeiçoamento da norma técnica, por isso, de tempos em tempos, a ABNT disponibiliza versões revisadas.

A nova NBR 9050, data de outubro de 2015, traz os princípios do Desenho Universal, que são premissas fundamentais para a elaboração de projetos inclusivos. Essa importante mudança, reforça a ideologia de que os produtos e ambientes construídos, por exemplo, não devem ser concebidos para determinadas fatias da população e que o desafio a ser enfrentado, deve ser mais amplo: o da diversidade humana como ponto de partida.

Em perspectiva, os edifícios apresentarão usualmente, corredores mais amplos, acabamentos que minimizam o risco de acidentes, barras de apoios nos sanitários, sinalizações táteis, visuais e sonoras nos pontos relevantes do percurso. Tais medidas, contribuem para a construção de um mundo mais equitativo e inclusivo, mas desafiará constantemente os profissionais do setor, que deverão focar na qualidade com funcionalidade, estética e segurança.

Dissertação de Mestrado

Qualidade da habitação de interesse social: análises a partir da acessibilidade e desenho universal. Estudo de caso do conjunto residencial Rubens Lara, Cubatão, SP

Autor:

Renata Lima de Mello

Resumo(s):

[pt] O Brasil possui como grande desafio a redução do déficit habitacional, principalmente para favorecer a população de baixa renda e isso tem sido trabalhado pelas políticas públicas nas três esferas de governo. Dentre as ações governamentais destaca-se a produção de moradias através da parceria público-privada, além de melhorar as condições de financiamento para aquisição do imóvel. Focam-se principalmente no atendimento quantitativo do problema habitacional, relegando para o segundo plano os aspectos qualitativos da questão, salvo algumas exceções. Sobre os casos excepcionais, pode-se mencionar a atuação do Governo do Estado de São Paulo, através da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e Secretaria de Estado da Habitação, que têm contemplado também os aspectos qualitativos dos projetos arquitetônicos e urbanísticos. Nesse contexto, destaca-se o Conjunto Residencial Rubens Lara localizado em Cubatão, São Paulo, que foi construído a partir de um projeto executivo detalhado, que especifica as características técnicas dos passeios públicos, das áreas comuns condominiais, das unidades habitacionais adaptadas, das áreas de convivência, contribuindo para o acesso e uso desses espaços. Nesse projeto foram implantados os conceitos de Acessibilidade e do Desenho Universal, seguindo as legislações e normas técnicas vigentes sobre esse assunto, resultando em soluções projetuais diferenciadas no universo da habitação social no Brasil. Dessa forma, essa dissertação se propõe a analisar esse Conjunto, a partir desses referenciais legais, além de discutir sobre as boas práticas encontradas, com o intuito de contribuir com os futuros projetos de moradia social focados na qualidade a partir da acessibilidade e do desenho universal.

[en] One of the greatest challenges Brazil faces is to reduce the deficit in dwellings supply, with an extra focus on the low-income market, which government officials have been working towards through city, state and federal policies. Among such acts, some are noteworthy as dwelling construction through partnerships with the private sector, as well as providing better loan conditions for property purchase. Such government efforts focus mainly on the quantitative aspect of the dwelling market problem, pushing qualitative matters to the background, but in a few initiatives, among which stands out State of São Paulo’s commitment through the state owned Company for Housing And City Development and the State Department for Housing, which have considered qualitative matters within the architectural and urbanistic projects undertaken by them. One such project in particular deserves special mention: the Rubens Lara condominium, located in Cubatão, São Paulo, which was built from a detailed executive plan, which specified technical details of its sidewalks and access streets, common grounds, accessible apartments and leisure areas, making for better access and use of these places. In this project were employed the concepts of Accessibility and Universal Design, following the legislation and technical rules which govern such matters at the time, which yielded in distinguished design solutions in the social dwelling market in Brazil. Therefore, this dissertation aims to study this project and its outcome, starting at the legal references, as well as discussing the good practices found in it, looking at contributing with future projects of social housing focused on quality, founded on Accessibility and Universal Design tenets.

Titulação: Mestre em Arquitetura e Urbanismo

Contribuidor(es):

[Orientador] Gilda Collet Bruna

[Membro da Banca] Maria Augusta Justi Pisani

[Membro da Banca] Helena Napoleon Degreas

Assunto(s):

[en] universal design

[pt] qualidade

[pt] habitação social

[pt] acessibilidade

[pt] desenho universal

[pt] ARQUITETURA E URBANISMO

[en] accessibility

[en] social housing

[en] quality

Data da defesa: 30/07/2013 em Universidade Presbiteriana Mackenzie

Arquivo para baixar: Dissertação em PDF

Fonte: http://tede.mackenzie.br/jspui/handle/tede/342. Acesso em 23/09/2016.