Transver: Fotografias registradas além da visão

A Pinacoteca do Estado de São Paulo apresentou as fotografias feitas por pessoas com deficiência visual, resultantes de um curso promovido pelo Museu.

Por: Renata Mello

Foto: Pinacoteca do Estado de São Paulo, Renata Mello

A exposição fotográfica “Transver – Fotografias Feitas Por Pessoas Com Deficiência Visual” da Pinacoteca do Estado de São Paulo, retratou um interesse de quebrar paradigmas e abrir novos horizontes aos participantes com deficiência, demonstrando que mesmo sem a visão, as pessoas podem apreender os espaços a partir de outros órgãos do sentido e com a aplicação de algumas técnicas, realizar seus próprios registros visuais.

O educador João Kulcsár foi o responsável por colaborar no desenvolvimento de novas habilidades aos dez participantes do curso voltado ao registro fotográfico por pessoas com deficiência visual, realizado pelo Núcleo de Ação Educativa e que ocorreu nas instalações do próprio Museu. O intuito foi demonstrar-lhes as possibilidades de definir cenas através dos cheiros, calor e textura dos objetos, por exemplo.

A mostra apresentou os resultados desse interessante trabalho, de forma visual (fotos), tátil (através de imagens em auto relevo e textos em Braille) e sonora (audiodescrições), contribuindo no processo de inclusão da arte para todos os públicos.

Diálogo no Escuro e os sentidos

Diálogo no Escuro é uma exposição que convida o visitante a perceber o mundo além da visão, reconhecendo os ambientes e objetos através do tato, audição e paladar.

Por: Renata Mello

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 Foto: Renata Mello, 2016

Em meio ao ritmo frenético da cidade de São Paulo, surge um convite para se despir da urgência de cumprir com as atividades do dia a dia e imergir em uma outra frequência, aquela que nos permite conhecer os ambientes, os objetos e as pessoas, sem pressa.

A proposta da exposição é proporcionar ao visitante o reconhecimento e a redescoberta de lugares habituais e objetos, sem o uso da visão, percorrendo alguns ambientes no escuro, sob a supervisão de um guia com deficiência visual.

A visitação tem duração de 45 minutos aproximadamente e ocorre em grupos geralmente de 8 pessoas. Estes participantes recebem bengalas que os apoiam durante o percurso, pois através do uso das mesmas é possível reconhecer barreiras nos espaços e evitar acidentes.

A experiência é muito enriquecedora. Durante o trajeto os partícipes vão revelando suas percepções e em conjunto buscam desvendar esse mundo “novo”. A cada item reconhecido, através do tato e do olfato, representa uma conquista pessoal e do grupo.

Para vivenciar as percepções do paladar, sugere-se comprar um lanche no escuro e degustá-lo no ambiente de refeições. Nesse momento, abre-se um espaço para perguntas que o guia responde prontamente relevando a todos os desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência visual, mas também relatando detalhes tão ricos captados pelos demais órgãos dos sentidos.

A proposta da exposição proporciona a troca de experiências entre pessoas com habilidades e competências distintas, que enfrentam naquele momento os mesmos desafios. Isso mostra que todos são iguais e ao mesmo tempo diferentes e o quão importante é respeitar essas diferenças.  Uma proposta cultural singular e que vale ser vivenciada.

Para saber mais: http://www.dialogonoescuro.com.br/#dialog-in-the-dark